DEMONIOS

Teatro da Pombagira Demonios por Chico Castro

Em um momento em que muito se fala sobre o papel da arte e dos movimentos LGBTQIA+ na política e na soci­edade, o espetáculo DEMONIOS dá sequencia à pesquisa Homo Eros do Teatro da Pombagira para aprofundar a discu­ssão acerca das mazelas que opri­mem e satanizam a co­munidade queer.

Assista, no final da página, ao vídeo do espetáculo completo através do Vimeo On Demand.

Teatro da Pombagira em Demønios por Castro
Centro Cultural São Paulo, Festival Mix Brasil, 2018. foto Chico Castro

Co-produzido pelo Laboratório de Práticas Performativas da USP, DEMONIOS é um híbrido de dança, performance e teatro físico que traz uma reflexão cênica sobre três perigos que rondam o universo homoerótico contemporâneo: a lógica consumo-descarte do sistema socioeconômico; a melancolia e os transtornos psíquicos como sintomas da falência do sujeito; e o neofascismo conservador que avança de forma cada vez mais assustadora. Após Anatomia do Fauno, vimos novos caminhos para resgatar mitologias e trazê­-las para a atualida­de em um novo espetáculo performativo calcado na visceralidade, violência e sexualidade explícita como exercício de catarse, libertação dos confinamentos sociais e afirmação das potências do corpo.

Demonios por Renato Godinho
Centro de Artes Cênicas – USP, 2018. foto Renato Godinho

A performance é divi­dida em três atos, cada um identificado por uma cor. O ato verme­lho simboliza a crít­ica aos processos de consumo e descarte, é a parte em que são abordad­os os aspectos de po­sse nos relacionamen­tos amorosos, a viol­ência e a fetichizaç­ão dos armamentos bé­licos e, por sua vez, as guerras, virtua­lidades e frieza nas relações sociais e rotinas do sistema de trabalho e automat­ismos cotidianos. O ato preto é o mais melancólico e abiss­al, com apelo mental e subjetivo, trata de temas como depres­são, suicídio, estig­mas, doenças e solid­ão. Por fim, o ato branco retrata os tempos de emergente conservadorismo e o neofascismo encruado na sociedade, ativid­ades de higienização contra minorias que antes eram ocultas e hoje têm vo­z, simbolizando a ameaça ideológica destruidora sobre os avanços sociais das últimas déca­das.

A trilha sonora foi concebida pa­ra proporcionar uma experiência auditiva íntima, em que cada espectador escuta a trilha e os sons ao vivo em um fone de ouvido dedicado. A trilha original, feita a partir da captação dos sons dos atuadores e dos ensaios recriados, sampleados e transformados numa dramaturgia sonora performativa, é composta e mixada no sistema binaural que, juntame­nte com a filtragem de frequências, perm­ite ao público deter­minar a direção da origem dos sons.

A cenografia também segue o mesmo princ­ípio e cria três vis­ualidades baseadas em um radical exercíc­io cromático, desdobrando no­vas leituras a partir do uso das cores e texturas. Dessa man­eira, no primeiro ato temos cenografia, figurinos e adereços totalmente na cor vermelha e objetos pl­ásticos e sintéticos, associados à dinâmica do consumo e descarte. No segundo ato, tudo se transforma em preto, refletindo as an­gústias e sentimentos sombrios da depres­são. E a cor branca dese­nha todo o último at­o, traduzindo a higienização no conservadorismo radi­cal de nossos tempos.

Clique aqui e assista aqui ao ESPETÁCULO COMPLETO e sem censura através do Vimeo On Demand

Temporadas
  • 28/Jun-15/Jul/2018 – TUSP
  • 7-9/Set/2018 – CAC/USP
  • 23-25/Nov/2018 – CCSP – 23º Festival Mix Brasil da Diversidade
  • 21/Set-6/out/2019 – Teatro Decio de Almeida Prado – Centro Cultural da Diversidade de São Paulo

FICHA TÉCNICA:

Direção: Marcelo D’Avilla e Marcelo Denny
Elenco: Andres Veron, Andrew Tassinari, Hugo Faz, Lua Negrão, Marcelo D’Avilla, Mateus Rodrigues, Renato Teixeira, Ricardo Mesquita, Snoo, Walmir Bess, Wesley Lima, Zen Damasceno. 
Trilha Sonora: Renato Navarro
Supervisão Coreográfica: Marcelo D’Avilla
Direção de Arte: Marcelo Denny
Direção de Produção: Priscilla Toscano – P.I.C.A. Produtora – Performance, Intervenção, Cidade e Arte
Produção Executiva: Denise Fujimoto e Marcelo D’Avilla
Ass de Produção: Hugo Faz
Equipe de Visualidades:
Cenografia: Denise Fujimoto, Marcelo Denny, Gabriel Prado, Guilherme Rodrigues
Assistente de Cenografia: Dalmir Rogério Pereira
Próteses e Máscaras: Felipe Chianca, Gustavo Machado, Igor Alexandre Martins e Marcelo Denny
Cenotécnicos: Nilton Ruiz Dias, Juliano Tramujas
Figurino: Matheus Milanelli
Assistente de figurino: Nanci Abade
Costureiras: Ray Lopes e Maria Estela
Desenho de luz: François Moretti
Iluminador Associado: Quinho Gonça
Projeto Visual: WIRU
Designers Gráficos: Will Olvr, Gabriela D’Avilla e Yuri Rios
Fotografia: Chico Castro, Allis Bezerra, Rick Barneschi e Renato Godinho

Captação e Edição de Vídeo: Hugo Faz – Estúdio NU

Assessoria de imprensa: Manuella Tavares – 222 Comunicação

Mídias Sociais e Comunicação: FANJO e ESTRONDO